Eu não falaria outra língua se você me entendesse. Eu não me mudaria de cidade se você me abrigasse. Se da forma que bati em tua porta você não atendeu, que macacadas eu devo fazer pra te encharcar de mim? Não basta roubar seus beijos e arrancar todos os drinks da sua mão, uma vez, duas vezes te levar pro meu quarto e não te derrubar na cama – é sempre um quase, meu caro Caio Fernando – sempre passamos do ponto e a porta não abre de jeito nenhum. Eu não me suporto. Te roubaria de ti pra nunca mais ter de me olhar no espelho e ver a figura esquálida que me tornei. Minha magreza é tanta que me alimento de amendoins à noite, na solidão da minha casa sem TV. Coca light e amendoin. Ouço um rockzinho do Pete Yorn, um mp3 que ganhei de um amigo antigo. Amigos antigos. Quem são eles. Ora, ora, Caio Fernando, acabo de abrir um livro seu e você já é meu amigo antigo. O mais antigo de todos. Tomaria todos os porres do mundo com você, bateria na sua porta feito uma louca e roubaria beijos lésbicos da sua boca bicha. O mundo nos engana, não confio em placas de trânsito nem em decisões tardias.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Ao meu amigo Caio F. A.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
vertigens noturnas
terça-feira, 24 de junho de 2008
sobre o esgarçamento (nosso)
esgarçar quer dizer desfiar-se
(desfiar-me + desfiar-te)
que fosse de tudo se não houvesse
- e acabam virando bodes expiatórios -
rasgam (quebram, engolem) seus instrumentos (e sopram música para um mundo atônito)
beiram o abismo sem medo de uma lufada de vento
e antes do mergulho sorriem inefáveis
(pq últimas consequências necessariamente são as últimas, será que ainda não há mais consequências antes da última?)
lá vou eu, de novo.
9:46
Tenho que me ocupar com tudo o que há de variações, de distrações, não consigo mais ficar em silêncio. O barulho é agora o meu grande companheiro. Baixo Augusta, gente louca, fumaça - isso é meu paraíso. Contar músicas me salva do mais absoluto desespero.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
sobre a amizade
Tenho andado sem criatividade, ou melhor, tenho visto o mundo com o maior dos olhos literários, com trilha sonora e tudo, mas não estou conseguindo sentar e escrever. Muitas coisas acontecendo, amigos indo embora, mudança de casa, ando meio impotente criativamente, apesar das emoções estarem deveras intensas. Mas encontrei um texto antigo que escrevi sobre a amizade, e acho que representa um pouco do momento que vivo. Gostaria de poder escrever sobre meus amigos mas nunca consigo. Esse texto é uma parcelinha do oceano faminto que me liga e desliga deles.
sabe que depois que você segurou meu braço na porta daquela discoteca as coisas desandaram um desabamento em cadeia um dominó desenfreado desceu ladeira abaixo sem preguiça na ladeira tipo aquelas de perdizes me perdi solamente de tudo o que poderia um dia me segurar e fui de cabeça pra baixo com os braços estendidos e os olhos espremidos pra dentro de medo do mergulho no escuro determinado em não me segurar em nenhum corrimão em nenhuma mão solidária o meu movimento não tinha calma e sofria de ansiedade pela descida no meu carrinho de rolimã que ia de encontro à curiosidade de conhecer cada detalhe seu
