terça-feira, 23 de junho de 2009

É um texto todo poético que fiz. Mas não escrevi. O tempo não deixou. Acendi o cigarro e olhei o branco texturizado da parede. As sombras que as luzes da cidade projetam nas paredes da minha casa são instalações. Fico imersa na quantidade de quadrados cinzas algo esfumaçados, alguns andam conforme o movimento da rua, outros ficam suspensos como uma nota de jazz. Ângulos inusitados: as cadeiras fazem pose. Tomo um trago, vejo as linhas se formando no espaço mas não distinguo as letras. As luzinhas, elas sempre me distraem.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

terra antiga

"Barcos não são mesmo feitos para ficar parados". É essa voz, uma voz que pouco conheço, mas já é quase antiga, que flutua sobre mim. É alguém que conheço; pouco conheço. Fico presa à margem - a vida - e não é presa o verbo certo, porque sim: todo dia escolho acordar. E não à toa. Na margem ouço o apito dos navios, meus mortos se foram e já quase não os deixei partir. E com os pés na terra, com a terra fico - e até quis seguir. Não fui porque ir é também me deixar partir. Logo aqui onde piso o chão me consola das fumaças que não avisto mais. Ouço as pessoas antigas, sábias e amigas; a terra quente abraça meus pés.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Não estou mais. Em lugar nenhum.

terça-feira, 16 de junho de 2009

É um colo. Um descanso ilustrado, delicado. Mãos aleatórias que cubram minha cabeça de calor. Com uma voz, um veludo que corra como um rio enquanto sonho.

domingo, 14 de junho de 2009

um domingo de outono

É a folha que desliza no ar, a sua maturidade brilha por 3 tempos. O sol bate enviasado põe a sombra em seu lugar. Os prédios são montanhas de gente. Os cachorros se cumprimentam ou rosnam, os donos sorriem e seguem adiante. Na padaria os senhores conversam com os balconistas sobre o jogo. Uma música triste toca comigo mas eu não estou triste. É para olhar o mundo bonito. É para me sentir uma folha.

sábado, 13 de junho de 2009

Dispensaria a paixão. É na perenidade que transito. Um dia a mais de suavidade e lembranças. O barulho me incomoda como se eu fosse um enfermo. Convalesço ainda. No silêncio me habita uma homenagem.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Hoje eu estava lá. Uma britadeira abria meu âmago e as fronteiras da minha consciência desvaneciam. Não foi um instante ou dois. Foi uma sequência imposta de catatonias. As cores dos meus sonhos vulgarizaram todas, tudo se abriu em destaque de escola de samba. Foi a morfina, me disseram. Não me deliciei em nada. A lua minguava, crescia, se estabanava toda para aparecer. E nada me tirava dali. Da falta primordial. Do sonho esquecido. Sem estalos, choques ou sopetões. Era a espera definitiva. E até hoje espero, e vou esperar sempre. Em todos 11 de junho eu vou esperar. Que ela acorde, linda, e diga, obrigada, filha.