quarta-feira, 16 de outubro de 2013

não é para levar tão a sério. nem um mistério profundo é tão sério, bem disse a poeta. a vela queimava há um mês. bem hoje, justamente hoje, o dia que carregava o poder decisório da mudança, ela, que era colorida, laranja, azul clara e azul escura, ficou preta. a vela ficou preta. a vela que fica no seu altar. ao lado dos santos das musas dos deuses que regem sua parca fé. justo entre ontem e hoje. e quando entre ontem e hoje definem a sua vida. e então quando era para tudo explodir e virar uma página, não vira. quando era para o avião decolar, não decola. uma esquina, uma viela que não vai ter fim. então você não entra. definitivamente não entra. ah, o eterno sabotador. aquele diabo que faz o seu carro bater por um pequeno ângulo e por 0, qualquer coisa, muda a sua vida. oi, querido sabotador. você tem cara de vela preta. que diabo! mas ao meu querido diabo eu mando um recado:
 
- você me pegou!
 
agora te convido para tomar um vinho. ahm hã.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

vão desmedido. esquina virulenta. sopro atroz. uma fresta, aguda. a realidade, é esta.

sábado, 17 de agosto de 2013

Um minúsculo tempo. Uma fresta. Pausa para o café. E então.

sábado, 27 de julho de 2013

Um dia ali. Um dia na casinha amarela. Sozinha. Todos os cômodos vazios, e um pouco empoeirados. A casa em vigília. A casa, olha, ela está quase pronta. O que é estar pronta mesmo. A casa reza. Reza em si. Reza só. Suas paredes pintadas de uma cor nova. Um abraço. Um abraço na casa nova. Que é velha, dura mais de cinquenta anos. Não me dê nada de novo. O que eu quero é estar aqui. Exatamente aqui. Esticar meus lençóis. Só me deitar sobre eles e vislumbrar o que sempre fui.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Não há mais tempo. O tempo acabou. Os carros atravessaram o farol enquanto o tempo piscava. As luzes brilhavam, a lua está tão. Acabou. O tempo não é. De ninguém. Também não é mais soberbo, a não ser em outras. Galáxias? Se na rua, se em casa. O tempo tem horizonte? Estreito, uma faixa, uma linha, um ponto, uma! Lá vai, se foi, nem memória. O agora, um! Agora, sim! Mas agora? O agora tem horizonte? O agora é uma linha, ou um ponto? Agora o tempo, agora largo, e se toca uma campainha? Foi! Se toca uma linha, só uma nota se vai, e nos ouvidos, fica. O tempo é o corpo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Mês de junho. Faz seis anos que me lembro do mês de junho. Esse mês definitivo. Nada continua adiantando. Só amar as pessoas. Amar a troco de nada. Sem ponto, sem nó. Um abraço de saudades continua eterno.
De antigamente, só tenho uma visão turva. De salas grandes onde fazíamos guerra de almofadas. De uma escada comprida e por cima colocávamos um colchão para podermos deslizar. De uma jabuticabeira do quintal de onde tirávamos os frutos para sujar a parede do vizinho. Mesmo turvo, antigamente eram quintais e nós todos juntos, aprontando. Bobagens de criança, de roubar correspondência dos vizinhos, tocar a campainha e sair correndo. Sentíamos que quase poderiam nos prender, tão grave eram nossas infrações. Nas fotos, eu sempre pouco sorri. Continuo assim. Só que sem brincar.