Já fomos mais felizes. Reinávamos num espaço onde a natureza era certa e a comida farta. O sonho de nos vermos velhinhos e saudáveis, de mãos dadas por aí, vestindo roupas antigas e de qualidade, com as crianças seguras em suas casas. O início é sempre belo e pleno. Mas estamos nas nossas vitrines de vidro. Um arremesso errado, um ângulo torto do vento e levamos a tempestade direto na cara, que suja nossa roupa recém-comprada, e joga granizo na pele.Habitávamos lugares confortáveis. Sorríamos demais em todas as festividades. Nem sequer pensávamos que haveria um fim. Éramos inesgotáveis, como são todos os seres humanos, enquanto duram. Mas o corpo é perecível e tem durabilidade. Isso não quer dizer que dure o tempo necessário... quer dizer que daqui a pouco ele irá embora. E nunca será o suficiente, nunca teremos abraçado tanto e nem amado tanto.
Eu não encarei o sepultamento. Olhei para o chão, derrotada. Sairia gritando, teria convulsões, se tivesse saúde. Quando a perplexidade e a tristeza são muito grandes, ficamos em silêncio. Não dá pra gritar. Falta espaço, vontade, coragem, voz. Não há necessidade, ninguém irá ouvir. Ou melhor, todos irão escutar, menos aquela para quem você grita. O silêncio é a melhor forma de resguardar um pouco de dignidade. Mesmo porque a minha tristeza durará a vida inteira. Chorarei até dar meu último suspiro.
Dei minha vida, meu sangue. Daria tudo novamente. Joguei-me no abismo da morte. Sobrou pouco. Sobrou o amor, eterno, mas isso ainda é pouco. Sobraram minhas células, que aos poucos se restabeleceram e me deram a chance de sentir raiva - um ódio suficiente para xingar a Deus com toda a minha visceralidade. Sobrou um corpo forte, capaz de aguentar muitos trancos. Mas isso é pouco. Nada é suficiente e nunca será. Sobrou todo mundo que muito me amou, e isso é quase tudo.
O meu olhar é perecível e se despede de tudo em todos os momentos. Olho com atenção as veias pulsando de quem amo para ter certeza de que estão ali.
Eu não encarei o sepultamento. Olhei para o chão, derrotada. Sairia gritando, teria convulsões, se tivesse saúde. Quando a perplexidade e a tristeza são muito grandes, ficamos em silêncio. Não dá pra gritar. Falta espaço, vontade, coragem, voz. Não há necessidade, ninguém irá ouvir. Ou melhor, todos irão escutar, menos aquela para quem você grita. O silêncio é a melhor forma de resguardar um pouco de dignidade. Mesmo porque a minha tristeza durará a vida inteira. Chorarei até dar meu último suspiro.
Dei minha vida, meu sangue. Daria tudo novamente. Joguei-me no abismo da morte. Sobrou pouco. Sobrou o amor, eterno, mas isso ainda é pouco. Sobraram minhas células, que aos poucos se restabeleceram e me deram a chance de sentir raiva - um ódio suficiente para xingar a Deus com toda a minha visceralidade. Sobrou um corpo forte, capaz de aguentar muitos trancos. Mas isso é pouco. Nada é suficiente e nunca será. Sobrou todo mundo que muito me amou, e isso é quase tudo.
O meu olhar é perecível e se despede de tudo em todos os momentos. Olho com atenção as veias pulsando de quem amo para ter certeza de que estão ali.

