terça-feira, 27 de maio de 2008

Gramadinho sem você

Eu não preciso mais de você. Nem das suas plumas nem da maneira como você me ignora. Com seu jeito previsível de lidar com as paixões nem com a maneira como você me recebe, cordata, sorridente, prestativa. Sua maneira de me aceitar e dizer que sou tão necessariamente intrínseca à sua vida cheia de alentos me enfastia. A cada papel que jogo fora, a cada passado que me livro um livro sim eu escrevi um livro e isso não me dá nenhuma credencial mas eu tenho uma violência que ninguém jamais irá entender completamente. Quando vejo um abismo insisto em não me jogar porque o primeiro impulso ele parece que não é meu. Suponho que tenha uma vida tranquila numa vila e seus caminhos sejam sempre melancólicos com árvores no outono em torno do seu caminhar de cotovia flutuante; haha, dou risada do meu próprio ridículo.
Meu jardim está quase pronto. Eu não preciso de mais nada. O status que eu tinha ao seu lado é absolutamente desnecessário. Words are very unnecessary, dançávamos essa música nos bailinhos. E agora é você unnecessary, veja só.
Você com toda sua urgência. Com toda a agenda cheia de trabalho. Seu trabalhinho que leva as grifes com seu cachorrinho para o parque fazer pose de descomprometida. Você com toda sua mania de apresentar as pessoas com nomes e sobrenomes, quanta empáfia a sua!
Seu balanço suas mãos seu corpo que era tão bonito não vai deitar no meu gramadinho, que bom um dia poder dizer isso tão em voz alta ouvindo um som tão alto nos meus ouvidos gritando urgentemente outros nomes outras pessoas que são tão melhores que você.

3 comentários:

Laa Kybele: disse...

clipping blues:
"um lugar pra eu guardar meus amigos, meus livros e filhos, e nada mais..."
já eu quero comer uva ali da parreira, naquele canto do seu gramado.
beijo linda, mia.

Anônimo disse...

De todos os lugares, o melhor é onde escondemos o ursinho de estimacao...lá é lugar que escolhemos para abrigar nossos anseios de crianca, nossos sonhos de algodao doce e nossos medos dos adultos e da morte...é lá, sempre lá.
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Pois as criancas sao inocentes e amam a justica enquanto que a maioria de nós é corrompida e naturalmente prefere o digníssimo perdao. (G.K.Chesterton)

Anônimo disse...

As crianças são pestinhaas.