quarta-feira, 28 de abril de 2010

Parece um filme. O coração, esse músculo que muitas vezes invalida a nossa razão. Eu gostaria, se já fosse evoluída suficiente, de ter assistido a esse filme não em 3D - me assustando com os monstros que pareciam que estavam ali e não estavam, me deslumbrando com as imagens coloridas e achando que aquela era a vida real. Não, eu gostaria de ter sentado ali na platéia, à distância e com a plena consciência de que era um filme que estava passando. Que eu poderia me emocionar, rir, chorar, vibrar, sem sair dali (do meu posto, da minha forma original, da minha consciência) da tão regozijante sobriedade. A sobriedade é sempre um bom caminho. Mas a gente se perde no caminho, oras. Se perde no desejo, se perde na ansiedade. Se perde e ponto. Mesmo com mil anos de análise, mesmo com a teoria feita. Pode ser um segundo que toda a consciência pula num abismo e os demônios saem pelas ventas. E um dragão cospe seu fogo em tudo quanto.

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