Há sempre uma placidez em olhar para o mar. Quando desço a serra, automaticamente o meu estado de espírito se altera. É como se eu retornasse a algum lugar quase esquecido, onde a minha memória poética se exaltava ao olhar o horizonte infinito do oceano. Voltar aos lugares às vezes é reconfortante, em outros momentos traz emoções indomáveis.
Quando abro o armário cheio de roupas de minha mãe, por exemplo, e inalo seu cheiro intocado pelo tempo, sinto-me, sim, um pouco reconfortada. É um pouco confusa essa história... a mochila que ela usou no hospital, o último pijama, as últimas calcinhas, estão exatamente do mesmo jeito. Ninguém consegue mexer naquela mochila, nem eu nem meus irmãos. O armário até conseguimos abrir, pegar umas roupas para usar em sua homenagem. Mas a mochila é a prova irrevogável da sua última viagem de carro pela cidade, do seu último preparo para ir ao hospital, dos últimos cheiros que ela deixou antes de partir. São suas derradeiras pegadas neste mundo. A vontade que dá é entrar naquela mochila e morar ali dentro, como se pudéssemos retornar ao ventre materno e novamente nascer, como se o mundo não tivesse nos arrastado cruelmente até esta umbilical e trágica despedida.
Não tivesse a distância da serra, gostaria de olhar o infinito do mar todos os dias, em comunhão com o tamanho da saudade e da tristeza profundas das minhas águas.
Quando abro o armário cheio de roupas de minha mãe, por exemplo, e inalo seu cheiro intocado pelo tempo, sinto-me, sim, um pouco reconfortada. É um pouco confusa essa história... a mochila que ela usou no hospital, o último pijama, as últimas calcinhas, estão exatamente do mesmo jeito. Ninguém consegue mexer naquela mochila, nem eu nem meus irmãos. O armário até conseguimos abrir, pegar umas roupas para usar em sua homenagem. Mas a mochila é a prova irrevogável da sua última viagem de carro pela cidade, do seu último preparo para ir ao hospital, dos últimos cheiros que ela deixou antes de partir. São suas derradeiras pegadas neste mundo. A vontade que dá é entrar naquela mochila e morar ali dentro, como se pudéssemos retornar ao ventre materno e novamente nascer, como se o mundo não tivesse nos arrastado cruelmente até esta umbilical e trágica despedida.
Não tivesse a distância da serra, gostaria de olhar o infinito do mar todos os dias, em comunhão com o tamanho da saudade e da tristeza profundas das minhas águas.


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