terça-feira, 6 de abril de 2010

Tudo termina fora de mim. As sombras ficam aqui dentro, postais antigos que permanecem. Puídos, podem estar um dia. Mas enquanto acredito quase como vivo ainda naquele lugar. Reluto em morrer. Reluto te deixar morrer em mim. Porque você é tão bonita aqui dentro. E aí fora também. Mas a corda bamba mata a pisada falsa, o devaneio. Sendo translúcida, minha realidade não pode ser pontiaguda; como é o seu silêncio hoje. Enterro-me nos meus tapetes, nas almofadas, a água do chuveiro desfaz minha pele. Sou um coração em neve, com um corpo gelado sobreposto.
Obra Desejo, de Naiah Mendonça

2 comentários:

roberto alencar disse...

Nada e tudo, mais ou menos, começam e terminam, fora e dentro, alguns tardiamente, outros, antes da hora, não sabem se ficam ou se vão embora, nem por isso deixam de ir ou de ficar, começar ou terminar, do lado de cá ou do lado de lá.
As sombras ficam dentro ou fora?
Tanto faz enquanto se acredita e se vive naquele lugar que não se consegue morrer e é tão bonito!
A realidade é sempre lúcida, em silêncio ou não. Esse é o problema que persiste.
Sempre persiste, no frio, ou no calor, debaixo do chuveiro, dos tapetes, das almofadas, ou do cobertor.

Anônimo disse...

oi paula! obrigada por usar o meu desenho nele,fico muito feliz que ele sirva para ilustrar sua poesia os sentimentos ...idéias....
um beijo!

naiah