domingo, 16 de dezembro de 2007

as lembranças de um rio

a sombra tarde cai
escurece meus pensamentos
sonho invadida pelo tempo corrido de um rio
a vida segue como areia entre os dedos
uma beleza antiga
desce a correnteza
e se encontra água baixo com o torpor
da saudade liquefeita

mergulho satisfeita em busca do sonho perdido, um rio
minha pele, porosa, molécula aquosa
brilha pontinhos
gotas de luz

num ventre suposto ainda sei que não nasci

3 comentários:

Anônimo disse...

Mergulho satisfeita,
pele, molécula,
brilha,
luz,
num ventre suposto,
sei que não nasci.

Será?

Parece que descreve justamente o instante de um nascimento:
sombra,
desce a correnteza,
água,
saudade liquefeita.

Parece que relembrou o seu parto, a ruptura da placenta, aminiótico, cordão no pescoço.

Anônimo disse...

Me passaram o link do seu blog.
Entrei, achei interessante. Diferente da mesmice que costuma se ver hoje em dia!

Anônimo disse...

Estamos sempre nascendo diante da vida, nascemos para o sentimento desconhecido, nascemos para o provável e o imponderável. Verdade! Mentira! Nascemos para cada milésimo de segundo.
A imaginação já nos diz da gênese que um dia será ensejada, ela é o berço e, ao mesmo tempo, um sepulcro que se mistura com nascedouro. Desabrochamento da fonte inesgotável, fábula perfumada e inquestionável e em sua presença estamos sempre em estado de graça ou desgraça, com o desejo de ao menos conseguirmos concebê-la como o inverso da realidade.
Ingênua tentativa que anestesiadamente nos consola.
Algumas coisas nos são prenunciadas, como um sentimento pré-natal, vibrante no ventre da mãe. E lá estamos, sendo tocados pelo mesmo som do mundo exterior e, no fundo, sabemos que para aquelas coisas estamos por nascer. Medo? Curiosidade? Aversão? Desejo? Apreensão?
Quem sabe?
Somos tão subjetivamente introspectivos!
Ah! quantos sonhos já perdemos e nos perdemos nos labirintos da nossa busca por eles!
O desânimo não tem tanto poder sobre nós, pois, em nossa pele brilham gotas de luz. A sombra tarde cai e os nossos pensamentos preparam-se para o sono que traz coisas que passaram, coisas que premonitoriamente irão e virão em formatos belos e admiráveis, que, quem sabe, em outras situações e dimensões, precisaremos até dar combate.
A areia da vida escorre por entre os nossos dedos, porém...

...caem em nosso colo.



Paula, é para você e seus leitores.

Um abraço carinhoso!

Roberto Alencar