Um pequeno recesso, levo-me a crer. Algo como um punhado de dias que me dê atenção que não me dou, naturalmente por excesso de tarefas. Pelo que meu espírito clama, posso acreditar que pouco durará e que em breve estarei novamente vestida e sem pijamas para pensar num bocado de mundo. Mas, para não peder um pouquinho do costume, voltarei - um pouco menos concentrada talvez, mas não com menos entusiasmo.
domingo, 23 de dezembro de 2007
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EFÊMERA
Você me diz que tem medo das premonições.
A tua mente em branco quase sempre prevê.
O teu instinto se mexe conforme a evocação daquilo que é impossível ao menos agora. Supõe. Prediz com audácia o tempo presente.
Que a tua visão te iluda e a tua alma seja entranhada por uma índole mais amena.
Transforma-se em uma parte de si mesma e já não se conduz. Sem algum sentido e sem movimento interior é nada menos que surpreendente. Depois, se expande e é aquilo que não almejou.
Este itinerário vai costurando uma mesma personalidade em um ser diferente. A mesma pessoa. Imagem que nunca sonhei carregar em meu íntimo.
Sem escolha de palavras você me diz que emoção e pensamento são versões antiquadas da intuição, me prende no fluxo dos teus registros. Sem pausa, fundamenta-me na razão, fere a inconsciência, subestima a memória.
Aptidões minimizadas não te seduzem, em teu ser mais amplo a causa é a ancestral.
Revele-me a tua gênese! Não fuja à fatalidade! Não escreva o que eu quero e nem o que eu sou. O fundamento é o interior, é a expressão sem meio chegando ao fim. Início da experiência.
Até quando podemos antecipar?
Até quanto retroceder sem ordem?
Foi então tudo isso um sonho lúcido e um jardim solitário e abandonado.
Foi assim, tão efêmera e sem tato. Se despediu e se esvaiu em rastro de luz. Apertando os olhos gemi a minha perda e a pena de mim. Por não poder te reter.
Vai sem destino por entre os vãos da incompreensão. Já não existe mais medo e em seu intento a decisão de me anular.
E eu, sem saber quem tu és e nem quem eu sou.
O que é o mundo, então se não um ato de oxidação e fim.
Mesmo diante da tua lembrança e das coisas que me foram incompreensíveis, ensaio uma tentativa de hipótese e suposição.
Reconcilio-me comigo.
E contigo.
Oh! Bendita seja você, encantadora amiga.
Imaginação.
(Roberto Alencar)
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